O que está sendo dito, em silêncio, na sua conversa?

A ideia de emissor e receptor parece simples: eu falo, você escuta, a mensagem chega intacta. Só que essa estrutura não existe na prática.
Entre o que uma pessoa diz e o que a outra escuta, existe uma camada silenciosa. De um lado, o que você pensou e sentiu, mas não disse. Do outro, o que eu pensei e senti, mas também não disse.
Um exemplo comum: um líder dá um feedback direto. Por dentro, pensa "espero que ela não leve pro pessoal". Isso não é dito. Quem escuta pensa "ele só vê o que eu faço errado". Isso também não é dito.
Por isso, a estrutura real da comunicação vai além da mensagem. Ela inclui o que cada lado pensou e sentiu, mas guardou para si, e principalmente o que os dois realmente desejam construir, preservar ou evitar naquela conversa.
No exemplo do feedback, o líder talvez deseje corrigir uma entrega, preservar a relação, ser respeitado e evitar uma reação defensiva. Quem recebe o feedback talvez deseje ser reconhecido, entender o que precisa mudar, não ser reduzido ao erro e sentir que pode falar.
Quando esses desejos não aparecem, cada pessoa tenta adivinhá-los. É assim que uma fala objetiva pode ser recebida como crítica. E uma pergunta pode soar como cobrança.
A comunicação raramente falha só nas palavras. Ela falha quando pensamentos, sentimentos e desejos silenciosos começam a conduzir a conversa sem serem reconhecidos.
Todas as conversas difíceis seguem uma estrutura parecida. Quando estamos tomados pelos detalhes e pela ansiedade do momento, nem sempre conseguimos perceber isso. Por isso vale observar não só o que foi dito, mas o que ficou em silêncio: pensamentos, sentimentos e interpretações que ninguém colocou em palavras. É nessa camada não dita que mora a verdadeira dinâmica da conversa.
Na sua última conversa difícil, o que você desejava e não chegou a dizer? E o que você acha que a outra pessoa desejava, sem ter dito também?
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